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Trânsito em Paris é fiscalizado em carro descaracterizado
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Luís Perez

O trajeto em Paris era muito curto. De carro seria 1,8 quilômetro. A pé menos ainda. Mas estava chovendo. De carro era uma mão na roda. Bastaria pegá-lo no número 5 da rua Jacques Callot e devolvê-lo logo do outro lado do rio Sena, no número 3 da rua Saint Roch. O Autolib’, sistema de compartilhamento de carros da capital francesa, permite tal facilidade (leia mais aqui).

Pego o carro, Júlia se acomoda de cinto no banco de trás, mas eu erro o trajeto, antecipando uma entrada (entro na Pont du Carrousel, em vez de na Pont Royal). Teria de dar uma voltinha a mais para chegar ao destino. O trajeto estava marcado no aplicativo de mapas do iPhone, que deixara repousando sobre o banco do passageiro – ia apenas ouvindo suas instruções.

Logo que noto que poderia ter errado o caminho, pego o telefone para dar uma olhada. Vejo o que tenho de fazer para corrigir a rota e o coloco de volta no banco ao lado. Feliz e contente, faço uma conversão à direita. Ouço sirenes. “Cidadezinha barulhenta”, penso. Mais sirenes. “Tenho de deixar essa viatura passar”, falo comigo mesmo.

Fiscais à paisana verificam o trânsito

Fiscais à paisana verificam o trânsito

Quando diminuo a velocidade, o som de sirene está cada vez mais forte e bem atrás de mim, sem parar. Polícia. Documentos. “Fiz algo errado?”, pergunto, imaginando alguma conversão proibida. “Fez sim“, responde o policial (policial?), sem dizer o quê. Examina carteira de habilitação, documentos do carro, contrato de locação.

A essa altura, Júlia já chorava no banco de trás, preocupada com o que estava acontecendo. Até que o fiscal (não era um policial, não estava de farda…) resolve revelar: “Você estava dirigindo com o celular em uma das mãos”. Sim, mas puxa, ele pegou aqueles poucos segundos em que conferi o erro no caminho.

Feita a abordagem, documentos em ordem, tudo não passou de uma bronca. Vão embora, mas, por alguns quarteirões, nosso caminho é o mesmo. Eles me ultrapassam e seguem de olho vivo no que acontece no trânsito. Então eu noto: eles fiscalizam tudo à paisana, em um Citroën C3 antigo branco, descaracterizado, e só na hora da abordagem é que colocam o giroflex e acionam a sirene.

Sabidinhos esses franceses…


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